Alimentação Dieta na Síndrome de Down
Por
Dra. Mariana Braga Neves - Nutricionista
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Síndrome de Down é uma condição genética caracterizada pela
presença de três cópias do cromossomo 21, sendo também conhecida como Trissomia
do cromossoma 21. Essa condição leva ao portador a apresentar uma série de
características específicas muitas das quais fazem com o que o acompanhamento
nutricional auxilie na qualidade de vida do portador.
Recebe o nome em homenagem a John Langdon Down, médico
britânico que descreveu a síndrome em 1862. A sua causa genética foi descoberta
em 1958 pelo professor Jérôme Lejeune, que descobriu uma cópia extra do
cromossoma 21.
A síndrome é caracterizada por uma combinação de
diferenças maiores e menores na estrutura corporal. Geralmente a síndrome de
Down está associada a algumas dificuldades de habilidade cognitiva e
desenvolvimento físico, assim como de aparência facial. A síndrome de Down é
geralmente identificada no nascimento.
Os músculos do portador da Síndrome de Down apresentam
uma hipotonia, condição que pode estar presente inclusive naqueles envolvidos
no processo digestório. Por este motivo, a constipação intestinal é comum.
Alguns portadores, especialmente crianças, têm dificuldade de mastigação. O
consumo de alimentos pode ser elevado devido à dificuldade em se sentirem saciados.
Por todos estes motivos, o ganho de peso é uma preocupação freqüente quando se
faz o acompanhamento do portador já que este dificulta as atividades da criança
(brincar, correr) e está relacionado ao agravamento de problemas
cardíacos. O cuidado nutricional deve focar o controle do peso.
A educação nutricional, por meio de atividades
próprias para a idade, é extremamente importante para que as crianças aprendam
a se alimentar. No adulto, a reeducação alimentar também é indicada. Uma
nutrição adequada evita problemas futuros e tranqüiliza a família. A
incorporação de bons hábitos alimentares deve ser gradual e contínua, daí a
importância do nutricionista no processo.
A avaliação nutricional inclui várias etapas. A
primeira é a análise alimentar, na qual a nutricionista saberá um pouco sobre
hábitos, horários, preferências e limitações. A segunda parte é destinada
avaliação antropométrica na qual a nutricionista fará a aferição de peso,
altura e composição corporal. As crianças com Síndrome de Down possuem, em
geral, um ritmo de crescimento e desenvolvimento inferior, se comparadas às
crianças não portadoras. Por isto, é importante que estas sejam avaliadas de
forma específica. A análise destes dados deve ser feita pelas s curvas de
crescimento específicas para a população com Síndrome de Down conhecidas como
curvas de crescimento de Mustacchie de Cronk et
al.
A alimentação de portadores da Síndrome de Down segue
os princípios da alimentação saudável. A dieta deve ser fracionada ao longo do
dia para que sejam evitados os excessos em cada refeição. Os pais devem
proporcionar um ambiente calmo e a criança deve ser a mastigar bem os alimentos
e comer devagar. O trabalho com o fonoaudiólogo poderá auxiliar no processo
mastigatório. As refeições devem ser equilibradas e planejadas de acordo com as
características específicas como peso, estatura e após análise de exames
laboratoriais. Em geral, os pratos devem ser atrativos e coloridos e deve-se
incentivar o consumo de frutas, verduras e hortaliças, restringir a quantidade
de massas, doces e refrigerantes.
A dieta rica em fibras é indicada não somente para
controle da quantidade ingerida (já que promove saciedade) como também para
auxiliar no trânsito intestinal. Deve ser acompanhada de líquidos,
especialmente água e sucos naturais.
A inclusão dos alimentos funcionais, como uva roxa,
alimentos ricos em ômega 3 (peixes, linhaça) , azeite previne doenças
cardiovasculares. A prática da atividade física com a dieta associada, é útil
para o controle do peso.
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